sexta-feira, 26 de junho de 2020

Análise do texto de Mt 11 25-30



O trecho inicia com Jesus, exultando no Espírito, louva o Pai, por ocultar a sabedoria divina dos sábios e entendidos desse mundo e ter entregue aos pequenos. Iniciativa agradável a Deus. Mais uma crítica aos fariseus, religiosos do tempo de Jesus. Deus tudo entregou a Jesus. Para operar a obra de redenção. Só o Pai conhece o Filho. Só o Filho conhece o Pai e a quem Ele quiser revelar. O Filho é um com o Pai e o Espírito Santo. Jesus faz um pedido. Uma chamada. Dirijam-se a mim, todos vocês que estão esgotados, fatigados, desmotivados, cansados e eu darei descanso. Levem a minha carga e aprendam de mim. Tudo o que é assumido, é redimido em Cristo. Cristo reivindica a autoridade de mestre. Sou manso e humilde de coração. Nas bem-aventuranças, encontramos algumas pistas sobre ser manso e ser humilde. Bem-aventurados os mansos porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus. Felizes os serenos, pois a terra serão deles. Felizes os despretensiosos, pois o reino dos céus serão deles. E até mesmo nas atitudes mais radicais descritas na Bíblia, não deixou de ser manso e humilde de coração. Todos vocês encontrarão descanso para suas vidas. Minha carga é suave e meu fardo é leve. Quer dizer que Jesus divide com os homens o peso da viagem. Que Ele partilha com eles de suas dores, sofrimentos, alegrias e conquistas. Se não pudermos descrucificar os crucificados, que aliviemos, na medida do possível, ajudando a carregar seus fardos.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Análise do texto de Mt 6, 7-14



O trecho trata sobre a verdadeira oração e o Pai Nosso. Jesus adverte aos seus seguidores que, na oração, não utilizem vãs repetições, tais quais os pagãos utilizavam; esses achavam que seriam atendidos pela quantidade de orações. Cristo adverte para que não sejam como os pagãos. Deus conhece o nosso ser, o nosso interior e sabe mais das nossas necessidades do que nós mesmos. Por muitas vezes, não sabemos como rezar e quando rezamos, nos aproximamos da postura de oração criticada por Jesus, Ele nos ensina o Pai nosso. A primeira parte versa sobre a manifestação do projeto de salvação de Deus entre os homens. A segunda parte trata do que é essencial para a vida humana enquanto viver por aqui, na temporalidade, e conforme o projeto de Deus. As petições do Pai nosso são dignas de maior aprofundamento, pois cada uma delas traz um elemento importante na oração e na vida humana. Contudo, prefiro me deter em duas ênfases: fraternidade e perdão. O início da oração traz: “Pai nosso”. Revela o Único Essencial da vida, de um Deus que não é eterna solidão, mas Eterna Comunhão entre as Pessoas Divinas, Deus Pai, Jesus e o Espírito Santo, que nos chama à sua intimidade de amor e vida. Essa comunhão nos chama, interpela à fraternidade com todas as pessoas. Somos chamados a nos amar como irmãos, assim como Deus ama a cada um de nós. O mesmo Deus, que nos criou, cada qual diferente, com um jeito de ser, com dons próprios, nos convida à irmandade. Somos diferentes, mas há algo que nos liga uns aos outros, ainda mais do que pela modalidade da raça humana: o fato de sermos filhos de Deus. E os filhos de Deus trazem a herança de Deus. Deus é o alimento essencial para a vida humana que precisa ser compartilhado com todos. O sinal concreto dessa herança é a unidade e o amor entre os irmãos, dom e tarefa de cada um de nós, não obstante as divisões causadas ao longo da história. No início da segunda parte traz: “o pão nosso”. Deus, além de se ofertar a cada um de nós como alimento de vida eterna, também provê o sustento da nossa vida nesse chão e nessa terra. Nos oferece os frutos dessa terra. Nos cumula de dons e habilidades para cuidar dessa terra, nos cumula de dons e habilidades para construirmos não apenas bens materiais, coisas úteis para os homens, mas também bens imateriais, como construir a fraternidade entre os homens, fazer acontecer o reino de Deus entre nós, reintegrar à vida social quem foi descartado. Dar pão a quem tem fome. Dar água a quem tem sede. Dar sua vida a quem apenas persiste no tempo. Ser amor que encarna e procura suavizar as cruzes dos outros. E nisso, somos todos iguais. É Ele quem dá as forças necessárias para quem labuta, no trabalho de cada dia. A outra ênfase é a do perdão. Jesus menciona o perdão na petição: “E perdoa-nos as nossas dívidas como também nós perdoamos aos nossos devedores.” E também “Se não perdoardes os homens e seus delitos, vocês também serão perdoados.” e “Se não perdoardes os homens e seus delitos, vocês não serão perdoados.” Todas as petições nos comprometem com Deus e com os irmãos, de maneira especial, essa do perdão. Na oração, nos responsabilizamos em perdoar àqueles que nos machucaram, que nos fizeram algum tipo de mal, pois Deus, que é amor, nos perdoa também. Se quisermos a paz de espírito, imprimir uma qualidade em nossa vida, é inevitável perdoar, é inevitável ser perdoado. E dar o perdão a si é tão importante quanto perdoar os outros e ter o perdão de Deus. O perdão é um exercício diário. Uma vigilância cotidiana. Um banho diário.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Análise do texto de 1Pd 3, 15-18



O tema desse trecho é a confiança diante da perseguição. O versículo 13 começa com a seguinte indagação: Quem poderá fazer mal se fores constante no bem? Muitas vezes o mal nos acomete pois não somos perseverantes na prática do bem. Acabamos por permitir situações de brechas para a ação do mal em nós. Pedro, em seguida, trata que sois felizes, bem-aventurados, aqueles que bem aventuram suas vidas quando sofrerem pela justiça. Ele alerta para que não temais, pois se isso ocorrer, é sinal de um trabalho bem executado, feito com esmero. É sinal que a mensagem de Cristo está chegando a quem precisa chegar e isso nem sempre é bem visto por alguns. O apóstolo exorta adorar Cristo Jesus e que estejam sempre atentos para responder a quem indagar sobre a razão de sua esperança. Há sempre alguém que te observa, ainda que não o estejas vendo. Há sempre alguém que ao notar sua conduta e procedimento, pode querer saber um pouco mais, te perguntar o motivo de agir dessa maneira. A resposta nem sempre é simples, pois passa pela constante formação humana, espiritual, afetiva, social, psicológica. Passa pelo grau de interesse em querer saber sempre mais, de se formar sempre. De buscar leituras espirituais, culturais, sociais. O grau de interesse também passa por buscar por si mesmo e nem sempre esperar por algum estímulo externo. Isso requer maturidade e autonomia. Não é fácil explicar o mistério da fé. Há razões que só a fé pode entender. Isso não significa abdicar de continuar a buscar, aprender com o mistério. O maravilhar-se com o mistério nos impulsiona a continuar a buscar as razões de nossa esperança e comunica-las a quem quer que seja. O apóstolo fornece uma pista. Ao responder à quem te indaga sobre a razão de sua esperança, responda sempre brandamente, com mansidão e boa consciência. Responda sobre aquilo que você vive. Nem sempre acertas em tudo, mas nem sempre erras em tudo. Nesse sentido, os perseguidores ao verem a sua conduta em Cristo, ficarão confundidos. É melhor passar pelo crivo do sofrimento fazendo o bem do que fazendo o mal. O exemplo foi dado por Jesus, ao trilhar sua paixão, morrendo por nossos pecados. Um justo pelos injustos. Um inocente pelos acusados. Cristo passou pela lógica do “bode expiatório”, concepção que vem de longe, de quem alguém precisa pagar com a própria vida o mal que se acomete no mundo. Cristo é Cordeiro Expiatório que tira o pecado do mundo. Sua oferta gratuita, sua livre entrega nos indica um estilo de vida entre os homens de hoje e de sempre. Para que fôssemos reconduzidos a Deus. Todos nós, para que uma vez mortos na carne, fôssemos vivificados no Espírito.

sábado, 23 de maio de 2020

Análise do texto At 17, 15.22-18,1



O trecho trata da estadia de Paulo, Silas e Timóteo em Atenas. Paulo vai ao areópago, espaço dedicado ao encontro de notáveis para discutirem as situações de seu tempo. Dirige um discurso aos cidadãos atenienses. Constata que que eles eram religiosos. Paulo percorreu toda Atenas e notou diversos monumentos às divindades que eles cultuavam. E também encontrou um altar cuja inscrição “Ao Deus desconhecido”. Ali percebeu uma brecha, um pretexto para anunciar o Deus de Jesus Cristo. Paulo afirma que esse Deus desconhecido que era cultuado pelos gregos é o Deus vivo. Discorre sobre a criação, que Deus criou o mundo, tudo o que existe. E preconiza que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas e nem é servido por elas. Não precisa de absolutamente nada, pois é Deus, A Vida doadora de vida. Estabelece uma crítica às divindades e ídolos cultuados por eles.  Também discorre sobre o espalhamento da raça humana sobre a terra. Há muito tempo, esse Deus foi procurado às cegas, na escuridão, às apalpadelas, sendo que Ele nunca esteve longe dos homens. Nele vivemos, movemos e existimos. Imagem e semelhança. Paulo ainda continua discorrendo que se possuímos uma gênese divina, a divindade não pode ser pensada em nenhum termo da materialidade, nem mesmo da materialidade mais preciosa considerada pelos homens, como ouro, rubi, esmeralda. A grande novidade anunciada era que Deus não levaria em conta os tempos de ignorância. Contudo, os homens deveriam reconhecer essa ignorância e se arrependerem. Dom de Deus que se abraça à tarefa humana de cada dia. Até então, o discurso de Paulo estava sendo bem assimilado pelos gregos. Ao anunciar Jesus e mais especificamente passar pelo tema da ressurreição foi o problema, pois o tema era indigesto para os gregos que não acreditavam na ressurreição. Paulo não se alongou e nem insistiu: se retirou. Aparentemente, o episódio fora um fracasso no anúncio e no testemunho. O relato nega tal versão, narrando que alguns homens abraçaram a fé, Dionísio de Areopagita, Damaris entre outros. A narrativa mostra que nem sempre teremos o tempo todo êxito na caminhada cristã do anúncio e testemunho, o que contradiz e muito a concepção da vida cristã sempre vitoriosa e próspera. Mesmo na ausência de resultados positivos e frutos abundantes, se faz necessária a semeadura. Mas nem sempre há acolhida do anúncio e do testemunho. Paulo compreendeu isso, e partiu para outra cidade, a cidade de Corinto, onde tivera resultados mais significativos. O próprio Jesus, outrora, já havia dito que ao entrar em uma cidade, se não houvesse acolhida no anúncio e testemunho, que se sacudisse a poeira dos pés em retirada do lugar. Sempre há outros lugares com pessoas sedentas da palavra de Deus. Tal discurso não é apenas uma literatura escrita em determinado espaço de tempo; é um relato de coragem e ousadia, que nos contagia no prosseguimento e caminhada com o Senhor.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Análise do texto 1 Pd 2 4-9



Cheguem mais perto de Deus por meio de Cristo Jesus. Os homens rejeitaram essa pedra viva. Mas para Deus, essa pedra viva é escolhida e preciosa. Todos vocês não são menos que isso; são pedras vivas, massa, tijolo, alicerce que concebem o templo espiritual. Seus sacrifícios espirituais são apreciados por Deus por meio de Jesus. Todos vocês têm a capacidade de serem pontes, caminhos que conduzem a Jesus, que conduzem todos à Deus. O salmista diz que “A pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se agora a pedra angular.” Isso significa que para quem tem fé, essa pedra viva que é Jesus é um tesouro precioso, refúgio seguro. Para quem não acredita, torna-se pedra de tropeço. Ser raça eleita não significa ser uma raça superior às demais: significa que Deus amou e escolheu a humanidade. Todos vocês são possuem o sacerdócio régio, pessoas que conduzem as outras para Jesus. São elos de ligação. Vocês são nação santa, separados no mundo para fazerem a diferença em unidade, para fazerem história, quando se deixam permear pelas palavras e ações de Jesus. O testemunho coerente entre palavra e atitude passa pela contínua integração humana da mente e do corpo. Mens sana in corpore sano.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Análise do texto Jo 14, 1-6



A nossa reflexão será o trecho do Evangelho de João, capítulo 14, 1-6. No primeiro versículo, Jesus faz um pedido aos seus discípulos, que ficassem tranquilos, que não se desesperassem, pensando demais. Que creiam em Deus e em Jesus. Muitas vezes, as situações chegam ao limite que os homens não conseguem transpor. A fé exige uma entrega, uma confiança filial de quem tem intimidade com Deus. Muitas vezes, caminhamos nessa vida desconhecendo nossa origem e meta última. O tempo que nos é concedido é uma dádiva e oportunidade para entrarmos em contato com essas realidades fundamentais da nossa vida. Jesus diz que na casa do Pai, há diversas moradas, que Ele iria para lá preparar um lugar para cada um de nós. E que depois de ter ido preparar um lugar para cada um de nós, eis que Ele voltará e nos levará para onde Ele estiver. Eis que Jesus Cristo, assumiu nossa condição humana, para nos orientar para Deus. Ele é o próprio reino despojado da realeza humana. Um rei sem adornos de ouro, rubi, esmeraldas, diamantes, prata. Passou pela vida reintegrando a quem estava descartado da sociedade e da religião da época. Ninguém está acima da lei, mas a vida está acima da lei. Passou pela experiência da dor, do abandono, da solidão e da morte. Transformou essas experiências de morte em experiências irrigadoras de vida plena. Subiu aos céus para apresentar ao Pai nossa humanidade sofrida, para um dia, contemplarmos Àquele que nos amou com amor gratuito e desmedido. Subiu à Deus para que Deus derramasse seu Espírito Santo para que fosse o nosso guia nas estradas da vida, para que nos lembrássemos das palavras de Jesus. Até o dia que finalmente voltará. E Ele continua voltando no tempo, pela palavra de Deus, pelas vidas e palavras inspiradas dos irmãos, pelo pão e vinho, corpo e sangue de Nosso Senhor, memória perpétua de sua permanente estadia entre os homens. Jesus disse aos discípulos que eles saberiam de sua procedência. Todavia, Tomé questiona: Nem sabemos para onde vais, como podemos saber qual é o caminho?”  Daí a resposta lapidar de Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Manifesta a sua missão e identidade transcendentes, divinas, explicitadas em três elementos. O caminho, na qual Jesus é a travessia que liga duas pontas, da nossa humanidade imperfeita e contraditória à Deus, suma perfeição e coerência. A verdade, Cristo é a verdade do Pai que não pode ser negociada e nem instrumentalizada, que nos ensina que a verdade precisa permear nossa conduta de vida, nosso estilo de ser, viver sem hipocrisia, sem máscaras. A vida, a vida de Jesus, em seus atos e sinais são um convite a deixarmos as falsas seguranças, zonas de conforto para sermos semeadores da vida. Fazer o que estiver ao alcance para atualizar Jesus em nosso tempo e na nossa história. Jesus é nossa travessia para Deus. E em muitas situações, seremos para quem nos encontrar ou precisar de nós, uma travessia para Jesus. Madre Tereza de Calcutá, certa vez disse: “Talvez, você seja o único evangelho que seu irmão lê.” Então, trate de viver bem, de bem aventurar a vida sendo feliz!

sábado, 25 de abril de 2020

Análise do texto At 2, 42-47



O texto mostra o primeiro retrato da comunidade cristã primitiva. A assiduidade era a marca registrada daquela comunidade. Mais do que se antecipar aos compromissos, eram disponíveis. Disponíveis em aprender com os apóstolos. Tinham sede de saber mais. Não queriam ficar na teoria daquilo que foi absorvido no ensinamento, então, viviam na comunhão fraterna, entendida na comum união de tudo o que tinham e de tudo o que eram. Não se tratava de mero assistencialismo ou a um vago sentimento de solidariedade. A vida era partilhada, nunca subtraída, mas acrescida naquela comunidade. A comunhão fraterna era encarnada através do espírito de união dos corações e a gratuidade. O pão era repartido aos que tinham a fome do corpo. Jesus era o pão vivo que saciava a fome da alma. A alegria da partilha se fazia notar e era executada da forma mais simples possível, sem nenhuma ostentação.Se abasteciam comunitariamente no Templo e partiam em missão pelas casas. Se devotavam à oração comunitária, como um momento especial de profunda intimidade com Deus. Todas essas iniciativas sedimentavam a fé, a reverência para com Deus. Os frutos cada vez mais eram abundantes, nos sinais e prodígios realizados através dos apóstolos. Era característica comum daqueles que aderiam à fé colocar tudo em comum. As posses eram vendidas e os valores divididos para as reais necessidades da comunidade. Cresciam não apenas quantitativamente, mas qualitativamente!