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quinta-feira, 15 de julho de 2010

O prazo de validade das relações contratuais humanas

Sou um ser em constante busca. Na busca me encontro, me conheço, me reconheço, na busca também me perco e desisto. Insisto com coisas, circunstâncias, pessoas, amigos, desisto de coisas, momentos e pessoas. Ora insisto comigo, outrora me demito. Contrato-me novamente. Assim também faço com as pessoas: busco, encontro, conheço, aprofundo, amo, odeio, fico perto, fico longe, sinto saudade, sinto sufoco, sinto alegria, sinto tristeza, choro não sei de quê e nem por que. Demito pessoas, contrato indivíduos. Minhas relações mais parecem contratos com prazo de validade a vencer. Renovo se me convém, descarto se não posso tirar mais nada dali. Vivo avaliando quem me interessa, até mesmo quem não me convém. Estabeleço tábuas de valores para coisas e pessoas a partir daquilo que elas podem me oferecer e acrescentar. Até digo que isso é ter princípios, que é ter berço, que é ter educação. Digo até mesmo que as religiões ensinaram isso. É a famosa lei de Gerson que preconiza que de tudo é preciso tirar vantagem. O prazo de validade das relações perdura de acordo com as possibilidades de cada qual. Todos nós somos culpados, até mesmo quem vos escreve. Em tempo de Brunos, de Macarrões, Bolas, Elizas, é tempo de repensar as relações que queremos para nós. Amigos gratuitos ou úteis... Namoros de fins estéticos ou de corpo, alma e coração... Casamentos fabricados com pensões já previamente determinadas ou daqueles que uma vida ainda é pouco para serem felizes e viverem tudo o que é intenso nessa vida. Relações como estas estão na ponta da caneta, mas longe do coração!

sábado, 3 de abril de 2010

Filosofia e Ideologia em Marx

A teoria marxista caracteriza-se por uma estrutura de pensamento multifacetada que inclui a Filosofia, a Política, a Economia, a História, entre várias outras. Pode-se dizer que a estrutura do pensamento marxista está perpassada pelo conceito de materialismo, que significa a produção econômica dos homens.O progresso da história está atrelado ao desenvolvimento dos meios e modos de produção. Quanto mais se desenvolve esses modos e meios de produção, mais a história entra sua plenitude, sua realização. A concepção histórica do pensamento de Marx tem seu ponto culminante em dois livros, a saber: Ideologia Alemã e o Manifesto Comunista. O objeto de pesquisa de Karl Marx baseia-se na estrutura do capitalismo na vida da sociedade, sempre partindo de pressupostos filosóficos como também a pretensão científica de entender objetivamente o capitalismo. Quem lê as obras de Marx em um primeiro momento, pode cair na tentação de dizer que não há uma crítica à estrutura capitalista. Na verdade, é bem o contrário que ocorre. Marx realiza uma análise minuciosa do capitalismo na relação causa-efeito e tece uma crítica imanente, que se trata de uma observação rigorosa dos elementos internos de uma estrutura, para a partir disso fazer uma crítica consistente e não fazer a crítica a partir de idéias, noções do senso comum. O questionamento de Marx é o seguinte: Qual é o mecanismo que o capitalismo se manter tão longo tempo? A resposta vai girar em torno da dominação abstrata mediada por contrato jurídico. A dominação se dá através da compra e venda da força de trabalho que não é imposta pelo capitalista. Logicamente, passa a ser imposta quando firmado o contrato jurídico. Isso se pode dizer é o que mantém o capitalismo com a luta de classes, porém a luta de classes vem bem antes do capitalismo. A novidade que trará o capitalismo é essa dominação abstrata por contrato jurídico que não existia na antiguidade. O que se sabe até então é que o advento do capitalismo está intrinsecamente relacionado ao protestantismo sob as doutrinas da predestinação e teologia da prosperidade material, que promete todos os bens possíveis aqui na terra. Há três perspectivas que Marx se servirá para criticar o capitalismo e ao mesmo tempo adequar seu raciocínio lógico: Critíca da Alienação, Crítica da Ideologia e a Crítica do Fetichismo. A crítica da Alienação coloca relação causa-efeito do capitalismo produz uma alienação social do trabalho. Aqui se encontra resquícios da idéia de Idealismo e concepção de religião como “ópio do povo”. A idéia de Deus seria uma projeção da consciência humana que maximiza seus valores em uma instância maior do que ele. Para Marx, o proletariado constitui uma entidade universal, pois é a maioria que exige direitos e a burguesia uma entidade particular, pois está a serviço de poucos que detém os meios de produção. A crítica da Ideologia retrata que a Ideologia é o que esconde a realidade, e gera uma ilusão, pois a dominação de classes não se dá por idéias, mas por razões sociais. Além disso o pensamento de Marx não é uma ideologia, mas uma história do capitalismo onde ele aponta as suas contradições. Assim surge o Socialismo Científico (Foco na sociedade real e como transformá-la) que se distingue do Socialismo Utópico de Adam Smith (Foco na sociedade ideal). A crítica do Fetichismo revela que a estrutura capitalista tem seu momento de verdade, quando os capitalistas pagam pelo trabalho do operário pela quantidade de horas trabalhadas. Em seguida se torna falsa quando os capitalistas pagam o operário “sem levar em conta” o que ele poderá produzir de excedente, que se trata da mais-valia embolsada por ele. Em outras palavras, essa aparência em um primeiro momento é verdadeira, porém se revela falsa quando trata-se do excedente do proletariado. Leve para a vida essa máxima de Marx, que se trata do Telos (do grego: finalidade) da filosofia : “Os filósofos, até aqui interpretaram o mundo, agora basta transformá-lo!”