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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Realização humana, sucesso e dinheiro: essas variáveis cabem na equação de ser feliz ?

Muitos buscam em uma profissão somente o dinheiro. Fazem graduações, pós-graduações, especializações, MBA e etc … Sustentam inúmeros títulos e orgulham-se por eles. Mas o orgulho não acompanha uma realização humana e pessoal, mas no caso, é sucedida por um grande vazio. Não raro possuem grande fonte de renda e pouquíssima realização humana. Muitos procuram em suas carreiras somente o sucesso, o status. São pessoas que colocaram sua vida em seus contatos, conchavos para obterem êxito em suas escolhas. Não medem esforços para estarem nos patamares mais elevados, gostam de serem notados, mesmo que seja preciso prejudicar seu companheiro de trabalho. Mas o tempo e as circunstâncias lhes revelam que o sucesso por si não é sustentável, se não houver uma realização humana que o acompanhe. Muitos procuram somente a realização humana, e pensam que serão realizados sem nenhum sacrifício, abnegações e renúncias. Vivem desconexos da realidade, não assumem responsabilidades, e quando se deparam com grandes desafios, fogem dessas situações. Os casos elencados aqui são exemplos de excessos. Fomos educados a procurar uma profissão por aquilo que ela aparenta, sucesso, dinheiro, uma vida cômoda e tranqüila, mas não por um sucesso ancorado em uma realização humana, fruto de uma madura reflexão de escolher estar no lugar certo, na hora certa e ser a pessoa certa. Penso que por trás desse processo que vivemos, há uma profunda distorção do conceito de trabalho. A instrumentalização maciça em todas as instâncias que envolvem o trabalho acarretou a dissociação entre realização humana, sucesso e dinheiro. Ora, e o que é trabalho ? É basicamente um serviço. Serviço que lembra o verbo servir. Servir que nos remete a uma relação dialógica entre aquele quem serve e aquele que é servido. Uma relação de quem algo a oferecer para quem precisa desse algo. Por aqui já dá para ter uma idéia de como as organizações se estruturaram a partir da necessidade, da carência. Por trás da massificação dos meios de produção ( que trouxeram inúmeros benefícios a humanidade, inegavelmente !), há o desejo antiqüíssimo de dominação, de poder, de manutenção de uma dependência. É por aqui que o trabalho-serviço se transforma em trabalho-dominação. Quem serve, se considerou maior e melhor do que aquele que é servido. Começou a pensar as estruturas a partir de seu desejo de dominação, aumentando os meios de produção e diminuindo os recursos humanos, visando a máxima otimização dos processos, bem como o lucro. A mão-de-obra, foi, é, e está passiva, pois sobre ela pesa o medo de perder o seu posto de trabalho. De certa forma, corrobora a consolidação desse ciclo vicioso. Essa é a história, a grosso modo, na qual desvinculou realização humana, sucesso e dinheiro. Não é minha pretensão dar nenhuma formula mágica, mirabolante, sinceramente, não tenho. Mas o que posso fazer é gerar reflexões, provocações, pensamentos que possam ocasionar transformações a partir de você. O agente de mudança é cada um de nós, e essa história pode continuar ou terminar dependendo de você. Comece a pensar o que realmente te motiva a levantar da cama, nas madrugadas / manhãs de segunda-feira. Não é por acaso que as segundas-feiras são tão demonizadas por nos … !

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Da competição à leveza nas relações

Quando se trata de relações humanas, não se pode muitas coisas objetivar, pois o relacionamento humano não é uma ciência exata. Contudo, se podemos falar em universais na filosofia do relacionamento humano, esses universais, ou seja, características presente em todos os homens e em todas as suas relações, são os seus acertos e seus erros. Penso que é um discurso vazio falar sobre ‘se colocar no lugar do outro’, ou falar sobre compaixão, ou até mesmo sobre amor, se não levarmos em consideração essas duas importantes características. O fato é que ninguém está isento de acertar e de errar em uma relação. Mas se você acertou uma vez e errou uma vez, o que fica mais marcado é a vez que você errou. Isso é uma das consequências da produção em série, mecanizada, que também afeta as relações. Mas até mesmo quando se acerta, parece que não fazemos mais que a obrigação. Igualmente um desdobramento da mecanização que se estende nas relações humanas. O que nos motiva a acertar, apurar e melhorar em uma relação humana? O que nos motiva a errar, a romper, a ficarmos indiferentes em uma relação humana? Se foi sem querer, se não foi por intenção, quando dizemos ou fazemos algo que alguém não assimila bem, é bom que fique claro que a intenção acaba perdendo a sua força, diante do que ocorreu. A ação traiu a intenção. Que atitude tomar? Uma boa conversa, olho no olho, colocando todas as cartas na mesa. Eu disse todas as cartas. Uma coisa fundamental é que não se ignore as diferenças. Que não se coloque panos quentes pensando que se apaga uma situação conflituosa que ainda borbulha. As diferenças existem e são reais. Ao mesmo tempo, que não se absolutize as diferenças, com a pretensão de que só a sua diferença faz a diferença, e o outro tem que engoli-la guela a baixo. A pedra de toque é que as diferenças são que nem quebra-cabeças: com paciência e persistência, achamos o encaixe da nossa diferença com o outro. E que aquilo que é comum, que não seja superficial; foi feito para ser aprofundado, cada vez mais. Usar de transparência, falar o que sente sem que isso fira alguém, e ao mesmo tempo, nos alivie interiormente é um enorme desafio. Falar o que sentimos é mais fácil do que escutar o que os outros sentem. Quem será o primeiro a pedir truco? Alguém dirá: 6, o outro: 9 e o outro: 12. Chegaram ao 12, mas ainda estão no 1 a 1 e todos querendo ganhar. Mas não terão consciência de que é preciso desarmar-se, despir-se do espírito de competição e embriagar-se do espírito de colaboração, de entendimento mútuo, colocando na mesa os acertos e erros e pensar por onde recomeçar e evitar que esses erros aconteçam novamente. O conceito de felicidade anda mesmo deturpado... . Parece que a felicidade deve ser alcançada, mesmo se for preciso pisar nos outros, mesmo que seja apesar dos outros. Olhos nos olhos, e sobre a mesa, conjugamos os verbos acertar e errar, em todos os tempos e modos verbais, descobrimos que isso é mais comum do que imaginamos, para que assim, as relações humanas nos tragam mais leveza, alívio. Assim, é possível falar sobre amor, gratuidade, compaixão, sem ingenuidade ou ilusão, mas com maturidade irrefutável. Alguém ainda vai querer trucar?