Mostrando postagens com marcador homenagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador homenagem. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Esses inexperientes: pai e filho

Pai, tantas lembranças eu tenho de ti, se eu começar a contar, não haverá mais espaço nas folhas de todos os livros que possa haver no mundo. Me lembro das suas brincadeiras, das suas histórias, do sei jeito de me fazer feliz. Me lembro daquele dia, caminhando na rua da praia, eu dizia que queria desistir de tudo, desistir da vida, e você me disse, não, não desista, eu estou com você, vamos juntos procurar uma saída. Me lembro de todas as vezes que me orientava, e como um erudito da vida, me dava aulas sobre a arte de viver, coisas que não aprendi nos livros acadêmicos, mas de você. Me lembro que todas as noites me levava para dormir e rezava junto comigo a oração do Anjo da guarda e um pai nosso. Diante de ti, não sou nada mais do que um menino que hoje quer deitar em seu colo e sentir-se amado. Diante de ti, não sei esconder nada. Somos eternos inexperientes na lida de ser pai e ser filho. Cada momento é um novo aprendizado, uma escola com portas abertas para aprender. Quero viver ainda muito tempo ao teu lado, bebendo da tua sabedoria, tua história de vida, como nos velhos tempos. Renovo o meu amor que tantas vezes eu te jurei. Te amo, te amarei, sei que nessa vida, não terei melhor amigo que você. Deus o abençoe e o conserve. Do seu menino, Ricardo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Confissões de um neto carente de um colo de baba

Quantas vezes você me carregou nos braços. Quantas vezes você me afagou com seu cuidado de vó. Quantas vezes você me fez adormecer em seus braços. Quantas vezes você se deixou por vencer por inúmeras chantagens de seu neto. Quantas vezes você me dispensou seu carinho tão gostoso. Quantas vezes você esteve presente quando tudo era escuridão. Quantas vezes jogávamos dominó e você me deixava ganhar até aprender a jogar um pouquinho como tu jogavas. Quantas vezes me contava histórias da Segunda Guerra Mundial fazendo brilhar meus olhos de menino. Quantas vezes me confundia meu nome com o do Chachá com o do Adriano com o do Aryel. Quantas vezes subia a ladeira da Waldemar Martins para trazer pão fresquinho e sentar com a gente para tomar aquele café da manhã bem gostoso. Quantas vezes você se cansou, porque queria ver os outros mais felizes. Quantas vezes estivemos juntos e você me ensinava a lição da vida a face mais bela da existência humana. Quantas vezes me disse que eu deveria ser mais amável para com todas as pessoas e não importava quem. Quantas vezes me disse para dar valor a família, pois nesta terra era a única coisa que eu poderia possuir. Quantas vezes a gente se divertia com suas palavras carregadas de sotaque russo que a fazia ficar sem jeito e algumas vezes até fora do sério. Quantas vezes escutei você dizer: “sou louca por meus netos!” “não mexam com meus netos e bisnetos”. Quantas vezes me mostrava as mesmas fotos de seus parentes russos. Quantas vezes me contava as histórias de sua infância e adolescência. Quantas vezes me comparava com seu irmão que tanto estudou e até me achava parecido fisicamente com ele. Quantas vezes me acompanhou pela janela quando eu ia trabalhar. Quantas vezes a gente comia aquela pizza de mussarela que tanto você gostava e até pedia para pagar a conta. Quantas vezes você me dizia: “Vai com Deus!” e eu nunca partia sem sua benção. Quantas vezes você foi forte firme,quase que invencível. Uma vez lhe perguntei qual era a sua música preferida e ela me disse que era “Churrasquinho de Mãe” de Teixeirinha. Miudezas da vida que só quem ama pra valer pode conhecer. Retalhos de tempo que a memória se encarregou não somente de armanezar mas de eternizar. Você acompanhou tudo de mim, me acompanhou todos os momentos da minha vida. E quando eu fui entender um pouquinho sobre a vida, recebi a notícia de que você havia partido. O que era de vidro se quebrou em mim. Tinha aprendido a ler a vida por aquilo que dizias. Tinha aprendido a ser da paz por você, que viu com seus próprios olhos os horrores da segunda guerra mundial. Mas mesmo nesse faltar de chão por entre as minhas lágrimas pude recordar quantas vezes tive a oportunidade de dizer “Eu te amo” e o quanto pude transformar essa palavra em atitude que acariciava o seu ser. O tempo te desgastou, o tempo te levou, mas você foi altaneira, incansável. Uma vida assim não morre, uma vida assim não passa. O tempo venceu o teu corpo,mas não venceu as tuas palavras e exemplo. O tempo venceu a sua idade, mas nem sequer esgotou a sua intensidade de amar. O tempo encerrou o teu ciclo,mas a tua vida continua em Deus tal qual um mar que desagua em um oceano de perder de vista. Te levo no sobrenome Czepurnyj com honra carinho e responsabilidade trago o teu sangue em minhas veias. Trago na memória na alma e no mais intimo do coração as suas palavras o seu exemplo o seu olhar. Nem que eu quisesse eu poderia te esquecer. Como esquecer o inesquecível ? Diante do teu corpo pálido e frio, senti as suas gélidas mãos, percebi quanta vida que deixaste em mim, quanta vida deixaste em sua familia, amigos e patrícios russos. Nessa partida tão inesperada, aprendi que há dois lugares nas quais o tempo não pode chegar: a memória que preserva as tuas palavras, exemplo, a tua pessoa, e a eternidade, nossa gênese e fim. O tempo, o eterno vilão, que faz a gente morrer aos poucos, antes da definitiva despedida nessa terra, nunca poderá vencer a memória e a eternidade. Os sentidos captaram momentos únicos e inefáveis, mas o amor se encarregou de tornar esses momentos para além do tempo. Se a nossa memória pode preservar tanta vida de tua vida, tanto amor de teu amor, tantos momentos que não cabem na semântica da palavra tempo, quanto mais estás preservada e em paz na mente e no coração de Deus. O pensar divino confere essência e existência. Essência, pois és imagem e semelhança de Deus, existência, pois foste um querer divino que se tornou carne, contudo, nossa vida não se limita a esta casa de argila frágil que se desgasta com o tempo. Para além do horizonte dessa vida, há mais vida, na qual os olhos não podem enxergar. E é a partir desta tenda humana, que é o nosso corpo, que somos chamados a fazer a diferença no mundo em que vivemos. Mas entre o tempo e a eternidade, cá estamos nós, com a saudade de você, com lágrimas no olhar, e gratidão no coração, por ser sido um grande presente que Deus nos deu. O que resta a todos nós é amar a todos como se fosse o primeiro, o último e o único dia da nossa vida. Deus sabe melhor do que todos qual é o maior bem para cada qual, e nossa querida babá foi chamada para viver com Deus eternamente. Te damos adeus neste tempo e nesta terra. Te trazemos na mente, na memória e no coração, a tua imagem, nossos momentos, tuas palavras, teu exemplo, teus gestos, teu olhar, tua pessoa. Se a vida continua para nós que ficamos, muito mais para ela que está mais viva do que nós. Haverá o dia da gente se reencontrar. E num abraço haveremos de nos encontrar e ser incorporados no infinito amor do Eterno. Aprendi que seu cuidado de vó vale por mil mães. Deve ser por isso que me sinto órfão mil vezes de vó. Ah, minha amiga, minha irmã, minha vó, minha confidente – você levou a maior parte dos meus sonhos que ainda trago nos mais íntimos recônditos da alma. Eis seu eterno menino carente do seu colo. Nós te amamos. Ternamente e Eternamente. Até o dia eterno, baba!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

São Paulo: Tradição e inovação

São Paulo. Cidade com o nome do grande apóstolo de Jesus. Cidade sem fronteiras com o mundo ao redor. Terra de negócios, terra de encontros, terra que sabe acolher o estrangeiro. Eixo da economia brasileira. Suas noites são sedutoras, mas em pleno dia só vemos arquitetura petrificada. Se quiseres conhecer São Paulo, conheça seu centro, conheça seu interior. Praça da Sé. Marco zero. Pátio do colégio. São Paulo nasceu aqui. Estação da luz. Obra dos ingleses. Estação Júlio Prestes. Seu charme e seu encanto. Edifício Copan. Escultura do gênio Oscar Niemeyer. Teatro Municipal. Cartão postal e sede da semana da arte moderna de 1922. Prédio históricos e suas confidências. Solar da Marquesa. Arquitetura urbana do século XVIII. Largo da memória. Nas sinuosidades do vale do Anhangabaú. Seu passado de glórias, se mistura com sua marcha à atualidade. Parabéns, São Paulo!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vida longa ao rei Pelé

Edson Arantes do Nascimento, simplesmente Pelé! Um menino humilde, só mesmo um mineiro para ter três corações. Nesse coração brasileiro, habita a alma do maior esportista de todos os tempos. Seu talento e divino dom de jogar bola, ainda será tema de muitos livros, revistas, reportagens. Toda a homenagem ainda será pouca para aquele que trazia ao povo brasileiro tanta alegria, com sua molecagem atrevida com a bola. Pelé é rei, pois fez de todas as gerações, adoradores de suas jogadas geniais, até mesmo dos gols que perdia. Pelé é rei, porque além de ter sido o esportista número 1 da história da humanidade, manteve os pés no chão, não perdeu a humildade. Quantos no auto da fama, se perdem, acham que são alguma coisa. Pelé é exemplo de competência e humildade, prova que essas duas habilidades podem dialogar e andar juntas. Pelé é rei, pois não ignora nenhuma pessoa que encontra.Todo o corintiano que se preze, deveria beijar os pés daquele que foi o maior carrasco do Corinthians de todos os tempos. É um privilégio para poucos ter tido o Pelé como adversário e carrasco! Todo o brasileiro autêntico deveria se curvar ao jogador Pelé, bem como a pessoa do Edson Arantes do Nascimento. Todo o mundo deveria elevar as mãos para o céu para agradecer ao Grande Poeta por nos ter ofertado tal insigne poeta da bola. Vida longa ao rei Pelé! Parabéns pelos seus 70 anos, continue sendo referência em um mundo carente de referências. Pelé maximizou em si o dom de ser brasileiro.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Orlando Fedeli, o professor apologista da fé e crítico da modernidade

Tive algumas aulas com Orlando Fedeli, fundador e presidente da Montfort, que muito bem me recebeu em sua casa, entre os anos de 2005 e 2006. Muito me ensinou e muito ensinou a tantos. Tinha alma de educador e erudição refinadíssima. Um excelente historiador e como poucos. Tinha uma perspicácia viva e aguda, com refinado senso irônico e humorístico. Um dos últimos apologistas da fé cristã nos tempos atuais, em tempos de relativismo ético, moral e religioso. Um dos últimos criticos brasileiros da modernidade. Amante ardente da Idade Média, principalmente da Filosofia Patrística e Escolástica, época essa acusada, anacronicamente, de ser a "Idade das Trevas", o professor foi uma das minhas motivações para que iniciasse uma iniciação científica e TCC em Tomás de Aquino. Talvez, aqui no Brasil, ele era o mais contundente professor e cristão contra a ditadura do relativismo, denunciada pelo cardeal Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI. Era um dos baluartes na defesa da missa tridentina no Brasil e deixa um legado muito considerável, na qual todos os que se dizem católicos deveriam tomar notar. Deixa um profundo ensinamento que os fiéis leigos estão convocados a se qualificarem cada vez mais na palavra de Deus, na tradição e no magistério dos papas. Mesmo não concordando com alguns de seus posicionamentos, não deixo de dizer o quanto ele foi importante para minha caminhada cristã, e a tantos jovens, almas caras, que levou ao cristianismo. Na tarde do dia 09.06.2010, recebi a noticia com profunda tristeza e perplexidade, que nos auge dos seus 77 anos, o professor Orlando voltou a casa do Pai das Luzes. Que Deus, a Suma e Eterna Verdade, seja o seu prêmio! Que o Senhor não leve em conta as suas misérias, mas o abrace em sua misericórdia infinita! Que receba a coroa imperecível daqueles que lutaram em favor de Deus, da Igreja Católica Apostólica Romana. Meu abraço fraterno a familia, aos membros e amigos da Associação Montfort. Lanço um hino de gratidão ao Criador pelo dom da tua vida, que continuará em Deus. Em suas finalizações de respostas no site Montfort, sempre escrevia "In Corde Iesu, semper". Descanse em paz, In Corde Iesu, semper, destemido professor!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher, rosto materno de Deus entre nós

Mulher, porque és uma, consegue ser várias: Mães, esposas, irmãs, donas de casas, trabalhadoras. Fazes bem tudo porque em tudo deixa uma graça, um toque leve e sensível, indelével marca. Cada mulher tem um pouco de Maria de Nazaré, em noites sem lua e estrelas, clareiam o mundo de fé. Teu grito de dor, tua lágrima, teus dilemas, teu abraço intenso, teu olhar, inteiro poema. Tens sempre mais uma dose de amor em plena dor, espinhos em tua carne, solo sagrado, se torna flor! Tua vocação de ser mulher ninguém te tira, é eterna, Deus que também é Pai, é misericórdia materna...