Mostrando postagens com marcador identidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador identidade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cortesia em perigo

Cortesia, uma palavra que já cai em desuso. Na literatura medieval, a cortesia tem grande relevância. Surgiu no contexto da côrte, aristocracia e cavaleiros. O alvo da cortesia é sempre a mulher. O cavaleiro deveria honrá-la, defendê-la, e se preciso, dar sua própria vida pela mulher. O homem seria incapaz de se desenvolver sozinho, sem estímulo e o exemplo feminino, por isso deveria ligar-se a uma mullher que o incentivasse as grandes virtudes. Contudo, podemos estender esse jeito de ser a todo e qualquer ser humano, independente de partido político, religião, ideologia. Ninguém é tão suficiente, que não possa receber um afeto. Ninguém é tão carente, que não possa agir com cortesia. A cortesia não acontece por si mesma; o seu combustível é o amor. Quem tem cortesia, tem amor, e o amor prepara a pessoa para a cortesia. Cortesia é primeiramente pensar no outro antes mesmo de pensar em si mesmo, agradar as pessoas pela simples razão de serem pessoas humanas. Está muito longe do registro utilitário, onde todas as pessoas querem sair ganhando, pisando em alguém. A diferença na cortesia, é que as duas pessoas ganham, aquela que dispensa e aquela que recebe o afeto. Martin Buber, dizia que na relação Eu e Tu surge uma terceira: o Eu-Tu, que nada mais é do que o Nós. Toda relação tem os seus dois lados, é dialógica. O homem atual é extremo; ou vive em um profundo solipsismo, ou em um profundo coletivismo. Ambas as perspectivas anulam aquilo que ele possui de mais específico e peculiar: a identidade subjetiva. A cortesia é um verdadeiro corte no utilitarismo das relações; preserva as pessoas, mas ceifa profundamente o egoísmo e inaugura a primeira pessoa do plural: o nós. Com o nós, fica mais fácil de desatar os nós!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Máscaras, identidade perdida e a afirmação da subjetividade

Estamos diante da era das máscaras. Quanto mais máscara melhor. Esconde-se o rosto e desnuda-se o corpo. O importante é segredar a verdadeira identidade e cair na folia, sem compromisso ou responsabilidade. Os povos mais primitivos da velha mãe Terra já se utilizavam deste artefato para se comunicarem com suas divindades. O que há em comum na comparação dos primórdios da humanidade e a atualidade é a ocultação da identidade. Os povos antigos escondiam sua verdadeira identidade por trás da mascara para se conformarem, de certa maneira, com a natureza. Os foliões ocultam sua verdadeira identidade para que possam se divertir sem maiores preocupações com quem seja, a não ser consigo mesmo e com o seu ego. Mas aparece um paradoxo: a identidade é amordaçada para dar vazão ao próprio ego. A ocultação da identidade passa a ser, de certa forma, uma afirmação radical da subjetividade exacerbada. Com a identidade ocultada, pode-se mostrar mais o corpo, pois passado o momento efervescente, quase ninguém mais se lembrará. Ardem-se de desejos uns pelos outros não por quererem bem ao outro, mas somente pelo corpo. Somente restarão as cinzas dos humanos que poderiam ser inteiros, plenos e realizados, mas que hoje são somente pó, são vagantes de lugar nenhum. Nietzsche dizia assim das mulheres: “Há mulheres que, por mais que as pesquisemos, não têm interior, são puras máscaras. É digno de pena o homem que se envolve com estes seres quase espectrais, inevitavelmente insatisfatórios, mas precisamente eles são capazes de despertar da maneira mais intensa o desejo do homem: ele procura a sua alma - e continua procurando para sempre.” Por isso, quando chegar à quarta-feira de cinzas, que você não chegue só o pó, chegue pessoa com um horizonte concreto de ser ainda mais gente. Tenha coragem de tirar as máscaras e olhar para você sem temer. Nesse momento, não haverá segredos entre sua identidade e você! Encontre-se!