Mostrando postagens com marcador perplexidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador perplexidade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A arte da escrita

Escrever, uma paixão para vida toda. Uma arte que não pode ser identificada com técnica, nem pura repetição. Não se trata de mera aproximação de palavras, a busca da rima pela rima. Antes da palavra, o silêncio. Antes do significado, o mistério. Nem preciso dizer que é preciso amar a arte da escrita. Mas não basta. É preciso estar encantado com o mistério, é preciso embriagar-se de perplexidade do não-óbvio. É saber fazer a pergunta, mas sem pressa de responder. É considerar a dúvida como uma dádiva que nos traz o elemento desconhecido, o elemento renovador que outrora ignorávamos. Entrelaçar artesanalmente caos e significado, escuro e claridade, desconhecido e revelado. No tear das palavras, vai minha humanidade, minha inquietude. Escrever é o prato favorito servido à mesa, na qual, não é preciso mostrar os ingredientes e nem o esforço aplicado na confecção, somente ter tempo para saborear no momento e ruminar para a vida inteira.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Da não-palavra à palavra: a labuta do caminho de volta

Necessária solidão, a solidão da leitura. A dificuldade de sair da maratona do dia-a-dia. O sacrifício de fazer silêncio. O martírio de ficar só. O heroismo de me encarar de frente. A coragem de se notar no espelho da palavra. A aventura de mergulhar em um mar inexplorado. Solidão de pessoas, comunhão com as palavras. Autores de tempos imemóriais e autores de hoje adentram à minha casa, sentam à minha mesa e eu só escuto. Despejam seus palavreados em minh'alma. Logo, busco a não-palavra, o não-conceito, o que não é delimitado. O limitado quando entra no domínio do que não é delimitado, admira-se, fica perplexo, pasmo. Começa a pensar em fazer extraordinariamente as coisas ordinárias do cotidiano. Solidão de pessoas, comunhão com as palavras. E palavras também são pessoas. Possuem vida ou morte próprias. Tão reais que algumas fazem viver como outras fazem morrer. Desde o começo, a palavra não é minha. Não é minha a não-palavra, pois é antes de mim. A palavra não é minha, quando a formulei em pensamento e a escrevei em um pedaço de papel, renunciei minha autoria e está em quem a recebe. A capacidade de transformar a não-palavra em palavra também não me pertence. Ora, o que me pertence afinal ? Acho que o que me pertence é o não-pertencer. Ser no não-ser. Criar no não-criar. Eis meu sentimento ao escrever, ao viver.