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terça-feira, 22 de novembro de 2011

A arte da escrita

Escrever, uma paixão para vida toda. Uma arte que não pode ser identificada com técnica, nem pura repetição. Não se trata de mera aproximação de palavras, a busca da rima pela rima. Antes da palavra, o silêncio. Antes do significado, o mistério. Nem preciso dizer que é preciso amar a arte da escrita. Mas não basta. É preciso estar encantado com o mistério, é preciso embriagar-se de perplexidade do não-óbvio. É saber fazer a pergunta, mas sem pressa de responder. É considerar a dúvida como uma dádiva que nos traz o elemento desconhecido, o elemento renovador que outrora ignorávamos. Entrelaçar artesanalmente caos e significado, escuro e claridade, desconhecido e revelado. No tear das palavras, vai minha humanidade, minha inquietude. Escrever é o prato favorito servido à mesa, na qual, não é preciso mostrar os ingredientes e nem o esforço aplicado na confecção, somente ter tempo para saborear no momento e ruminar para a vida inteira.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Aos [des] compositores

Compor é um parto, dor sem nome, sem lugar, que não sangra, arde. Compor é um prato de comida bem quente, daqueles teus favoritos, quanto à aqueles a quem não tem o que comer. O primeiro ato de composição é uma decomposição; tirar do abstrato e colocar em palavras a divina inspiração. O segundo ato de composição também é uma decomposição, no momento em que as palavras se desprendem do autor para ser realidade. O terceiro ato de composição, novamente é uma decomposição, a intenção de quem disse não vale tanto quanto a recepção de quem significa. O processo de composição é idêntico ao do viver: entre o silêncio e a palavra, a inspiração, entre a palavra e a ação, a razão. Sou partitura viva, uma parte de mim é som, outra parte de mim é silêncio, uma parte de mim é presença, outra parte de mim é ausência. Deus é o nosso primeiro compositor! Cria e continua criando, por isso continuaremos a criar, pois Ele nos criou e continua nos criando.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Viver para conviver, existir para coexistir

Não tenho pressa de escrever. Não tenho pressa de doer, de passar pelas dores da palavra nascente da solidão silenciosa. O conteúdo daquilo que escrevo vem da vida, e o material que ela me fornece é infinito. Mas sempre quero o fim e não o processo. Chego ao fim, mas nem um pouco parecido com aquilo que idealizei. Chego a conclusão de que fui mais feliz no desenvolvimento da rota do que propriamente em sua finalidade e chegada. Ignoro, então, a finalidade da estrada? Tolice. Digo que há um sentimento próprio no preparativo, que não há na chegada, e vice-versa. Trago romantismos que merecem serem expurgados com o impacto da vida real, outros levo para que essa vida não seja tão pesada quanto parece ser. Palavra nasce na dor, nasce no parto, vicejante de silêncio. Meu argumento é a vida e é isso que o torna imbatível e irrefutável. Nada mais urgente do que viver para poder conviver, existir para poder coexistir. Preciso de você para conviver e preciso de você para coexistir, mesmo na diferença. A única pressa que urge é a de não ter pressa, para vivenciar, saborear a boa compania, o bom livro, a boa música, a boa arte. O silêncio gesta palavras e canções, inebria corações sedentos de amor. Que eu nunca me omita de falar sobre o humano e suas contradições, seus amores e suas dores, seus dilemas e certezas, sua fé e sua descrença.