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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Poema ao pé da tarde

Não sei porque insisto em escrever

Deve ser porque a vida queira viver

Segurei por tanto tempo a palavra

E a vida eu não posso segurar, minh’alma

A vida abarca o som e o silêncio

Como a eternidade, a pausa e o tempo.

Preciso de uma gota desse mel

Mergulhado no deserto desse fel

Posso até forçar o que escrevo

Mas não disfarço o meu medo

Acordo já esperando pela tarde

É a noite que anseio, na verdade.

Deus eternize quem inventou a poesia

E me traga os versos que distribuem a vida

Não me faça desistir quando me der por vencido

Mas me transforme em um soldado destemido

Sou um cruzado que não vale nem meio real

Sua amizade e seu amor irão me justificar no final.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Prece de um aniversariante

Senhor

Eu que atravesso o limiar de mais um ano

Tento te falar com meus versos provincianos

Pois se há alguma luz em mim

É essa luz que vem de Ti!

Senhor

Eu que sou pequeno e tão mendicante

Eu não quero caminhar errante

Sou aquele menino carente

Que precisa de um colo - um confidente.

Abraça-me a vida

Envolve-me o tempo

Aumenta-me os medos

Mas estou seguro em Seu coração.

Mais do que consciente

Que sou a verdade do seu querer

E se queres - o que eu poderei temer

Se me acompanhas neste chão.

Obrigado por seres quem Tu És!

Obrigado por me mostrar quem eu sou

É por que vais na frente - que na vida eu vou!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mártir subjetivo

Mártir de mim eu sou
Sou luz e encontro trevas onde vou
Vou por passo, mas sem compasso
Compasso, busco o do coração
Coração vagueia entre som e silêncio
Silêncio de uma alma que grita muda
Muda cenários, atores, mantém-se o roteiro
Roteiro de não ter roteiros, remédio sem bula
Bula que burla a ferida e perpetua a marca
Marca a ferro e fogo o tecido da alma
Alma que perde a calma, perde o encanto
O encanto da busca e de toda a procura
Procura, procura-te que você se acha...
O que acha?
Existe salvação para quem
É mártir de si ?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Confissões pós-modernas em versos de melancolia

Inadequado, sou inadequado
Nesse mundo pós-moderno
Vivo para me adequar.
Saudade do que? Eu não sei...
Sou a perda do que se foi
E a ausência do que não é.
Meus caminhos descontínuos
São vertigens na madrugada
Estou entre as intermitências
E as reticências da vida.
Puro fluxo, carne inteira
Afio minha humanidade
Na navalha da realidade
Sangra todo sentido e dor.
Esses caminhos sem volta
São labirintos obscuros
Espaços tão inexplorados
Quando o espaço sideral.
Navego em mares virtuais
Enormes tsunamis digitais
O mouse vira minha prancha
e a tela meu horizonte.
Sempre com alguém vou
Mas quase sempre tão distante
Estou presente e sou ausente
Já nem sei mais quem sou.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Deu Pena, Deu Pena Branca!

Tive a graça e o privilégio de conhecer pessoalmente o querido Pena Branca. Conheci nos bastidores do Canal do Boi em 2002, na oportunidade que tive de me apresentar pelo programa Show Brasil. Típico mineiro, fala pouco, observa e escuta bastante. Tivemos tempo para conversar sobre a música sertaneja, sobre as composições e a carreira brilhante dele e de seu irmão Xavantinho. Algumas horas de conversa me levaram a concluir que o sucesso e a fama nunca fizeram a cabeça de Pena Branca e Xavantinho. É que sua simplicidade, sua ingenuidade caipira nunca permitiram. Fiel à sua raiz e tradição permaneceu até o fim. Demonstrou a todos que é possível fazer boa música, sem deixar de primar por uma mensagem que seja clara, distinta e bela. Mostrou que sucesso é bem diferente do que estar na midia. Contribuiu muito com a cultura mineira, brasileira, a música sertaneja raiz em geral. Deixou rastros luminosos de honestidade, humildade, retidão e de amor ao que fazia, pois sabia do papel social que o artista exerce na sociedade brasileira. Uma cena que nunca mais eu esquecerei foi quando ele me emprestou sua viola para tocar, para o espanto de seu empresário que me disse que ele não costumava emprestar essa viola para ninguém e que eu tinha sido o primeiro. Naquela época, ainda não tocava viola, peguei-a para apreciar mais de perto. Talvez fosse uma pequena semente que Pena Branca jogara em meu coração, sem eu ao menos saber disso. Fiquei sabendo que na ocasião de quando ganhou o Grammy, ele, na sua inocência, perguntou do que se tratava. Só se tratava do maior reconhecimento mundial na carreira de um artista. Já o tinha como um modelo de ser humano e de artista, agora ainda mais, apesar de agora olhar para o palco e ver o microfone e a viola encostada sem ninguém. Sem som da viola pontilhada, sem o som de sua voz que cantava as belezas desta terra. A vida tem dessas coisas. Muitas vezes nos perguntamos porque pessoas boas como Pena Branca se vão, sem sequer uma despedida. Mas de que adiantaria uma despedida, se meu peito arderia de dor do mesmo jeito? Talvez seja para nos ensinar a viver com intensidade, como se fosse as últimas horas da vida, para fazer o que mais gosta com competência e amor, pois isto é consequência de uma profunda realização existencial como ser humano. Convoco a todos que se interessam pela boa música buscarem mais o conhecimento sobre a vida e obra dessa dupla maravilhosa: Pena Branca & Xavantinho. A verdadeira arte nunca morre com seu artista, pode passar seu autor, pode passar quem a concebeu. Ela continua, desde aquela pessoa que canta despretensiosamente sua canção, até aqueles que fazem do cantar a sua profissão. Deus agora não somente tem anjos cantando; tem a dupla completa: Pena Branca & Xavantinho que no céu cantam as belezas desta terra. Deu Pena...Deu Pena Branca!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Despedida: forma interessante de encontro

Caríssimos; Depois das palavras do amigo Rogério, arrisco algumas palavras. Último dia de aula, para três anos que convivemos juntos. Viver é relativamente fácil, conviver é tarefa e desafio que se impõe para uma vida toda. Tanta gente passou por nós, nós passamos pela vida de outras tantas pessoas e o que deixei nessa gente? O que deixaram em mim? Algumas pessoas passaram, outras ficaram... para ambas, que fiquem marcas positivas. Comemore por chegar ao fim, mas não se esqueça que nesse fim, há um começo. Vibre, mas não pense que houve vencedores e vencidos efetivos. Quem pensa que venceu, poderá tropeçar, quem pensa que perdeu, poderá se levantar. Pessoas são mais interessantes em seus avessos, onde há mais ser para além dos olhos que podem ver, pois desconcerta àqueles fixados na aparência. Agradeço a todos vocês por me ajudarem a fazer o que fiz por vocês. Não tive outro interesse a não ser o interesse de vocês. Não tinha que ser diferente. Foi um desafio enorme, responsabilidade grande ser um 'porta-voz' de pessoas brilhantes. Gelou o ser quando me delegaram essa missão. Poderia até saber de alguns riscos, mas não imaginava o que viria pela frente. Trago um sentimento bom sobre isso, não é fácil estar à frente de uma turma de Filosofia durante 3 anos. Exupéry dizia que o essencial é invisível aos olhos, que somos responsáveis por aqueles que cativamos. Hoje, devolvo a vocês, caríssimos, essa chave que vocês me confiaram no começo de 2007, certo de que poderia fazer mais, mas fiz até onde meu limite permitiu. Lembro-me da professora Glória dizendo que quem entrou na roda da Filosofia, não será mais o mesmo. Colheremos os frutos desses três anos ao longo da vida. Que tudo o que vimos em sala de aula possa ter nos auxiliado a sermos mais humanos uns para com os outros, a viver com mais qualidade de vida, no sentido existencial da mesma. Valeu a pena conhecer e conviver com cada um, cada qual, com sua vivência, seu jeitão único. O que resta a todos nós, como diria Milton Nascimento é tomar conta da amizade e soltar a voz nas estradas por onde andarmos. Semeando esclarecimentos, filosofando com o coração e com a vida, pois como diria Pascal, "o coração tem razões que a própria razão desconhece." Essas coisas do coração, a amizade, são aulas que a faculdade não deu, mas que a vida se encarregou de ensinar a cada um. Peço desculpas a todos por alguma palavra, algum gesto que tenha ferido alguém. Nesse instante que me faltam as palavras (a perplexidade e o silêncio é o começo da boa filosofia), recorro ao poema de Fernando Pessoa "Encerrando ciclos". Despedidas nem sempre são fins, mas constituem-se uma forma de encontro interessante com as pessoas e com a nossa história vivenciada. A cada um, meu abraço amigo e irmão, e a minha mão estendida quando precisarem। Avancem para águas mais profundas! Com estima e gratidão! Ricardo Ferrara Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu... Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora... Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão Fernando Pessoa

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A hermenêutica da palavra que bem aventura

Em algum momento da infância, li numa capa de um livro de gramática a seguinte frase: " Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: 'Trouxeste a chave? ' " Era o poema de Carlos Drummond de Andrade. Depois de tanto tempo, me deparo novamente com essa frase. Eis que atravessei o tempo que me leva da infância até o dia de hoje, e essa frase não me deixou. Esqueci dela, mas trazia-a comigo. O exercício que mais me aplico é o de adentrar cegamente, surdamente, mudamente, para que a palavra elaborada possa me transfigurar. Não sou mais o mesmo depois de ter passado por ela, mesmo que não quisesse reconhecer essa verdade. Embriagado no silêncio, minha palavra pode ser profunda e experimentando a solidão, minha presença pode levar a comunhão. Contemplo o poder invisível da palavra tomada como obra de arte. Michel Guerín em seu livro "O que é obra?" nos ensina que: "Toda obra é de ultra-túmulo. Quando ascende no horizonte do mundo, ela atesta sua descida aos infernos, sua iluminação muito profunda. Devolvida à luz, ela continua a se revestir desta marca. Assim, o trabalho cumpre a obra; ele a realiza." Pois é Drummond, sua poesia desceu a recônditos mais secretos do meu ser, e por lá decidiu se instalar sem o meu conhecimento. Produziu os seus efeitos benéficos, sem que eu tomasse conta. Deixou marcas profundas de verdade e na verdade. Hoje eu sei, pois ela veio à tona e o seu trabalho realizou o ser estético da obra de arte. Descobri a beleza de sua verdade, um desvelamento de ser e loucamente comecei a viver, como se fosse o primeiro, o único e o último dia da minha vida. Martin Heidegger também experenciou isso, e em seu livro "A origem da obra de arte" nos relata que: "A verdade é a desocultação do ente como ente. A verdade é a verdade do ser. A beleza não ocorre ao lado dessa verdade. Se a verdade se põe em obra na obra, aparece. É este aparecer, enquanto ser da verdade na obra e como obra, que constitui a beleza. O belo pertence assim ao autoconhecimento da verdade. O belo não é somente relativo ao agrado e apenas como o seu respectivo objeto. Todavia, o belo reside na forma, mas apenas porque outrora a forma clareou a partir do ser, enquanto a entidade do ente. A realidade converte-se em objetividade, e a objetividade torna-se vivência." A beleza acontece na verdade e ninguém pode ficar imune à sua manifestação, quando está diante de uma obra de arte. Quero essa hermenêutica para a vida inteira!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Apresentação do CD Não precisa dizer nada

O amor é possível nos limites, na precariedade das situações, é o inverso da minha lógica, contradição da própria contradição. Um olhar me basta para retornar a esse instigante sentimento: a palavra que não prende o que significa, o valor que não dá o seu preço. Paisagens dos campos parecem acenar ao horizonte que em mim existem paisagens desconhecidas por trás dos montes. O amor não é mero verbo, na boca dos artistas e dos cantores, aproxima as pessoas com arte, no encontro e as suas cores. Dos encontros que são partidas e partidas que são chegadas sou verso de uma canção que me envolve, que me embala...